Bom dia (tarde ou noite) pra quem estiver me lendo agora. 

Mas não cheguem muito perto, porque hoje estou incrivelmente de mal humor. Imaginem o meu estado de choque por conta da liminar concedida por uma juíza pop star de São Paulo, suspendendo a obrigatoriedade de diploma para os jornalistas. Acreditam nisso? E isso me fez meditar sobre o ser humano e Freud também. Meditei sobre quanto tempo um ser humano precisa ficar sem sexo para fazer uma cagalhada dessas.

Tudo bem, muitos vão pensar que estou sendo extremamente parcial, afinal, sou estudante de jornalismo. Sim! Yes! Ya! Estou sendo parcial sim, qual o problema? A TPM é minha e faço dela o que bem entender. Afinal, mexeram com a MINHA profissão, com o que EU escolhi pra MIM, MIM, Myself! Quando algum aspirante a juiz mexer com as suas escolhas profissionais, você faz a sua manifestação, ok?

Vejam só que maravilha. Todo mundo já se achava no direito de ser jornalista, e vem uma juíza para dar um aparato legal a essa esquizofrenia.

Não surpreende que um dia isso acontecesse. Toda e qualquer pessoa tem a mania de achar que sabe tudo de jornalismo, já perceberam? Assim, para que diploma, por que uma faculdade para preparar alguém para ser jornalista? Qualquer entrevistado que não tenha gostado do que você escreveu na matéria se acha no direito de querer ensinar como "a reportagem deveria ter saído". "Você tem que dizer isso assim, aquilo assado", tentam ensinar outros, na hora da entrevista. "Acho que você deveria abrir com isso", dizem alguns. "Isso não é o mais importante" (para os interesses dele, óbvio!). Sem contar as conversas de boteco: quando ficam sabendo que você é jornalista, vêm com mil e uma pautas. "Você tem que fazer uma matéria disso!", é a frase mais ouvida. 

No entanto, não lembro de ter ouvido ninguém, absolutamente ninguém, nem mesmo os mais "sabidos", comentar que ensinou a um dentista como fazer uma obturação... Ou a um engenheiro o quanto de ferro seria necessário naquela estrutura. Mas na nossa profissão qualquer um mete o bedelho. 

Por exemplo: Se alguém pegar uma petição e tentar corrigir os erros de ortografia, concordância e outros, vai morrer. De rir ou de chorar, mas vai. No entanto, a mesma besta que escreveu todas aquelas besteiras se acha no direito de te ensinar a escrever, de te ensinar a ser um jornalista! Quem está na minha mesma canoa, cursando jornalismo, sabe muito bem do que estou falando.

Essa história da obrigatoriedade do diploma ferir a liberdade de expressão é lorota. É o famoso caô do carioca. Onde já se viu isso? O que se exige é um diploma para as funções jornalísticas, como em todas as demais profissões. Tudo bem, eu sei que o curso de comunicação é o curso da esquizofrenia, mas a senhora juíza pop star pegou pesado mesmo.

Se você é um economista, um político, médico, advogado, um pai de santo, ou o que quer que seja, você pode ajudar um jornalista de verdade. Veja só que lindo: Você poderá ser um colaborador. Quase todos (senão todos) os jornais têm espaço para essas pessoas – pessoas como você, pobre mortal, - exporem "sua opinião". Basta, no mínimo, ter o que dizer.

Agora se vocês me dão licença, vou ali ensinar à minha geladeira a ser um jornalista sem diploma. Fui!