| Utilidade
Pública.
É engraçado como coisas idiotas fazem a gente pensar em coisas não tão idiotas... Uma amiga minha me ligou essa semana com a seguinte pergunta: "Como você sabe quando uma mulher é lésbica?" A minha resposta veio em menos de três segundos: "Se ela enfiar a língua na sua boca, pode contar que é sapa." Essa amiga minha é hetero, daí sua incapacidade de distinguir, em um agrupamento de pessoas sem a Cássia Eller, quem é gay e quem não é. Ela sabe que eu sou, e sabe porque eu contei. Passei por toda a experiência além-corpo que é contar para sua melhor amiga desde os 14 anos de idade que ela é o tipo de pessoa por quem você se apaixona. Ela ficou do meu lado desde então, me acompanhando em visitas ocasionais a bares gays, onde ela fica dura que nem uma porta, com cara de papel de parede que é pra não ser notada. Eu tento não rir, porque é assim que eu devo parecer quando estou no meio de um agrupamento de mulheres sem a Cássia Eller. A menos que uma me agarre. Mas a pergunta dela me fez pensar no assunto. E resolvi fazer um teste. Me enfiei em um ônibus lotado, daqueles na hora do rush do centro da cidade para um bairro dormitório. Bom, não era exatamente pesquisa de campo, eu estava voltando para casa. Mas já que estava ali, me transformei de passageira irritada com o calor a pesquisadora esfomeada pela resposta à intrigante pergunta: como saber quando uma mulher é lésbica? Ao final da semana, eu havia identificado 49 lésbicas, sendo que uma ainda não sabia que era (eu conversei com todas ao final da pesquisa, onde me apresentava como pesquisadora. Para algumas eu dei até meu telefone, mas isso não tem nada a ver com a pesquisa em si, mas sim com a pesquisada). Aqui vai o método que eu utilizei nessa pesquisa: 1 -
Pistas visuais.
A)
Pochete: Também conhecido, a partir de agora, como crachá.
(30 das entrevistadas).
2 -
Pistas sensoriais.
Outras frases também deram na pinta, mas a pista maior é o desconforto da troca de pronomes: ela para ele, dela para dele, e por aí vai. Resultado: das 500 pessoas que estavam nos 10 ônibus que eu peguei, 50 eram lésbicas. O que confirma a minha teoria de que se 10% da população mundial é lésbicas, e o melhor lugar pra conhecer todas elas é dentro de um ônibus lotado na hora do rush voltando para casa. -*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
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